XML/RSS Feed
O que é isto?
 
 


A Valsa Nuclear

Em frente aos ternos perfilados em cabides, foi varrendo com os olhos até encontrar um, padrão Príncipe de Gales, que o deixava mais jovem e com a silhueta não tão redonda. Difícil, pelos cabelos grisalhos e pelo abdômem pronunciado, prazeres da boa mesa e dos bons vinhos. Uma camisa branca e uma gravata amarela terminaram por compor o quadro, e ele não parava de olhar para seu próprio reflexo no espelho nem um segundo, acreditando-se colossal, irresistível, melhor do que todos os artistas de cinema reunidos. Colocou uns sapatos pretos de pelica alemã, nos quais ele poderia refletir seu sorriso branco. Encheu-se de perfume - quanto mais, melhor, pois afinal ela poderia reconhecer sua chegada à algumas dezenas de metros de distância. Guardou cuidadosamente a carteira cheia de dinheiro e cartões, o computador de bolso, o telefone. Talvez nada disso adiantasse, uma vez que a cidade estava completamente vazia ; no jantar ele mesmo seria o garçom a quem pediria a comida e seria servido sim senhor ! sem demora, imediatamente. E após o jantar, com o velho hábito de dizer das engenhocas onde a gente passa o cartão e elas não funcionam, orgulhoso, ele pagaria a conta com notas polpudas de cem e daria a si mesmo uma gorjeta capaz de pagar outro jantar. Ela como sempre estaria lá e iria ao seu encontro, não se atrase, ela está esperando, ela não gosta de esperar.

O elevador não estava funcionando - há tempos não funcionava, e ele desceu apressadamente as escadas até a garagem, onde ligou o carro e arrancou, com os pneus cantando. As portas e os portões estavam abertos e não havia ninguém que pudesse roubar nada lá dentro, e mais ainda, ele podia escolher um modelo novo para cada dia da semana. Fez a curva para a direita à toda velocidade e sem se preocupar com um outro carro. E o outro carro realmente não veio. Não viria. Assim, todos os dias. Dirigiu durante meia hora e ele até poderia parar em frente ao lugar onde ela o esperava, mas quis impressioná-la com seu cheiro de perfume, e estacionou o carro a quase um quarteirão de distância. Era um final de tarde radioso, quase verão, e anoitecia tarde. Foi andando pela calçada vazia ao seu encontro.

Ela o esperaria em frente a uma loja de calçados. Ele sentia-se feliz, renovado, como se houvesse acabado de nascer. Eufórico. Veio então à mente uma música irresistível como ele.

Stars shining bright above you
Night breezes seem to whisper "I love you"
Birds singing in a sycamore tree
Dream a little dream of me.

Agora dançava sozinho na rua, seguido por todas as câmeras de cinema que outrora existiram no mundo e pelo olhar surpreso de um diretor invisível - que era ele mesmo. A multidão muda do outro lado da rua seguia seu traçado irregular com os olhos, e com bocas abertas de espanto e admiração :

Say "Nightie-night" and kiss me
Just hold me tight and tell me you'll miss me
While I'm alone and blue as can be
Dream a little dream of me.


Quando chegou ao seu último passo de dança, estava quase na frente da loja de calçados, para onde lançou um olhar no vazio. Ela respondeu com um sorriso imaginário, admiração e medo. Abraçaram-se em um passo de mímica. Na realidade ela era tão leve que ele poderia jogá-la para cima, apanhá-la em pleno ar, e continuar seu passo de dança. Beijaram-se. O olhar dela quis dizer que sim, ele dançava muito bem. Ele sacou então seu celular do bolso e ela imaginariamente tinha um celular, que tirou com pressa da bolsa. E pelo celular, foram andando, dançando, fotografando-se e rindo, apesar dos telefones emudecidos e da impossibilidade de transmitirem-se as fotos espontâneas. Pelas vitrines e janelas espelhadas ele podia ver o próprio reflexo e o sol que se punha lá longe, com gravidade. E assim foram. Então, meu amor, esse é o convite. Você é o ar que habita a atmosfera, o ar que se movimenta com o vento encanilado nas ruas estreitas e nos becos da cidade. Você é o ar que se respira. Serei seu para sempre. Cuidado em atravessar a rua. Esses sinais desligados demoram uma eternidade. Abraçou-a, protegendo suas costas diáfanas e invisíveis e foram seguindo, leves, em direção ao restaurante.


(Dream a little dream of me é uma composição de Wilbur Schwandt & Fabian Andre, 1968. Essa canção foi gravada por apenas : Mama Cass (do The Mamas and The Papas, e Louis Armstrong, também em 1968)

Escrito por Caio às 13h54
[   ]




Comunicado

A partir de hoje, esse blog deixa de apresentar crônicas de protesto ou de insatisfação contra um estado vigente de mentiras que são contadas por alguns que estão no topo e engolidas por outros que não estão, necessáriamente.

Talvez essas crônicas sirvam melhor em outro blog... talvez dê um romance. Não sei. Não vai ser a falta de audiência que vai me fazer fechar essa lojinha. Sigo escrevendo.

A mentira, quando contada à exaustão, pode substituir a verdade. Pode substituir. Porém, não pode transmutar-se em.

Quando der vontade de dizer "não concordo !", arranjo uma receita de bolo, um pedaço d´ Os Lusíadas, um relato de um piquenique, ou de um dia de chuva; ou faço um outro blog, só com navalhas. Espero apenas estar vivo. Abraços.

 



Escrito por Caio às 17h53
[   ]




Das várias maneiras de dizer Não

Não,

A um governo populista e não popular.

Não,

A um governo que perdeu o caminho da História e tenta nos enganar a todos.

Não

À falta de responsabilidade civil e social que alegava desconhecimento total, perante as primeiras (e não apuradas) denúncias de corrupção nos escalões mais imediatos.

Não

A um governo que nos achincalha, colocando um filme-propaganda de 5 milhões de reais, com loas ao Fome Zero e aos subprogramas assistencialistas tão caracterísiticos desse tipo de ideologia. Querer que acreditemos nesse filminho é dizer que todas as dificuldades que passamos estão em Technicolor. 5 milhões que podiam sim, ser empregados na fome, para resolver problemas, não para mostrar "estamos fazendo sim, viu ?" em horário nobre, domingo, na hora do Fantástico.

Proibir a venda de armas de fogo em território nacional significaria a institucionalização de algo que já existe na presente situação : significa dizer oficialmente que existe um mercado negro no qual pode-se comprar livremente a arma de sua preferência.

O governo não quis ouvir a sociedade no que ela tem de mais aguda e sensível; não quis ouvir quais são as soluções que ela aponta para a diminuição da escalada da violência urbana ou não urbana. Porque há soluções sim, e podem muito bem dar certo. Está no querer de cada um e no querer de todos.

Vamos ficar do mesmo tamanho, armados até os dentes.

Mas conscientes de que paliativos não vão mudar o País para melhor. Mas soluções.

Por isso o jeito foi dizer não.

 

 

 



Escrito por Caio às 07h02
[   ]




Encontro

Haviam passado o dia de feriado na praia, felizes como duas crianças excitadas. Chegaram com o primeiro sol da manhã, Caminhadas na areia, descoberta de conchas e cavalos marinhos. Navios de passageiros e de carga no horizonte. Felizes, juraram amor eterno. Dezenas incontáveis de mergulhos nágua. O dia foi passando, pararam em alguma pensão para tomar banho e se alimentar. A noite foi caindo, e quando perceberam que a música alta tinha silenciado e que as vozes das pessoas tinham dado lugar ao barulho das ondas e o constante ruído dos insetos na vegetação, trataram de ir embora. Tinham uma estrada pela frente e um dia de trabalho, amanhã.

O horizonte era amplo e eles podiam ver as montanhas que tinham que enfrentar pela frente. Saindo da cidade, notaram que os caminhões e os carros tinham quase desaparecido, o que era um alento para uma viagem mais tranquila e rápida. Havia uma colina na sua frente, que isolava as luzes da cidade e a escuridão da estrada. Quando percebeu, ele estava distraído em alta velocidade, e ela olhava o horizonte em silencio, provavelmente embevecida com o dia que havia passado.

Um ponto luminoso surgiu na sua frente e foi ficando cada vez maior, de modo que em frações de segundo foi possível ver a figura de um policial rodoviário, vestindo um colete escuro com faixas fluorescentes, apontando para o lado direito da estrada.

Entreolharam-se e ele foi desacelerando o carro, suspirando pela interrupção da viagem e pela multa certeira. Ela tentou ainda dizer "muita loucura desse guarda, parado no meio da estrada...".


- Os documentos estão aí ?, disse ele secamente.
- Aqui no porta-luvas, respondeu ela.

Estava escuro, e o motorista achou curioso, mas parecia que o guarda usava óculos escuros, mesmo em uma noite tão profunda, e esses pareciam estar colados ao seu rosto.

O guarda grunhiu alguma coisa ininteligível.

- Ele está bêbado, disse ela.

O guarda começou a cercar o carro, olhando minuciosamente para cada detalhe. Leves chutes nos pneus, para ver se estavam vazios e gastos. Na frente, no motor, ficou olhando um longo tempo para o capô, como pudesse ver tudo, como em um raio-x.Olhou para os faróis, fazendo um sinal para o motorista deixá-los alto e baixo. Finalmente, aproximou-se de novo da janela do motorista e grunhiu outra coisa que ninguém entendeu.

- Ele quer dinheiro, disse ela.

O motorista saiu do carro, exibindo sua licença para dirigir e os documentos do veículo, ao guarda, que os tomou ansiosamente de suas mãos. Em segundos tinha lido todos os dizeres de todos os papeis. Olhou para o motorista por alguns segundos. Finalmente devolveu os papéis. Levantou o polegar da mão direita, Grunhiu outra coisa. Liberado. O motorista agradeceu, voltou para o carro, deu partida.

O guarda fez um sinal de despedida e foi andando calmamente para o meio da estrada.

O motorista acelerou suavemente e ganhou a estrada de novo, deixando o guarda para trás, quase completa escuridão.

- Ele ou estava bêbado ou queria ganhar um dinheiro nesse fim de feriado, disse ela
- Ele falou comigo e eu não consegui entender uma só palavra do que ele disse, disse ele.

Acelerou mais fundo, balançou a cabeça, afastando a tensão do momento que tinha se acabado.  Fixou-se na estrada. Ela, ao seu lado estava acordada, não ia dormir e não queria deixá-lo dormir. Estranho, mas ela, que sempre falava animadamente, dessa vez estava calada.

O carro seguia veloz, não viram lá atrás as estrelas mudarem muito rápido. De cor e de lugar. Como nunca antes tinham acontecido. O inconsciente registrava faróis, lá atrás, faróis que nasciam pequeninos e que aproximavam-se muito rápido, como carros velozes que os ultrapassariam. Curioso, não viam nada dos lados do carro e os faróis desapareciam. Havia ainda muita estrada, mas ocupados em não dormir, eles olhavam para frente, fixamente para frente.



Escrito por Caio às 09h02
[   ]




Camaleão, e Buster Keaton

O que faz um camaleão ? Olha assustado para todos os lados com os olhos independentes e ferozes. Susto, susto : batidas de coração. Começou a chover, o camaleão agora é verde. Vou ver se estou na esquina, não, não estou lá não. Então, camaleão : como vão as coisas ? Que coisas ? Boa pergunta.

O cinema rola inteiro em uma única gargalhada. O pianista inicia um fox-trot.

Que você quer, camaleão ? Quero ser de todas as cores. Quero ver todas as coisas. Estar em todas as árvores e olhar para o céu.  E mudar de cor.

Muito obrigado, senhoras e senhores. Fui atropelado pelo Ford 1928 e briguei com meu amigo Harold Lloyd. A vida passa rápida e deixa suas marcas num daguerreótipo qualquer. Levantei-me e saí correndo atrás do veículo.

Os óculos de Harold Lloyd estavam despencando de seu nariz.

O carro corria veloz, apareceu um sinal vermelho pelo longo percurso da única rua em que corríamos.

Bati com o meu nariz na traseira do carro de Harold Lloyd Caí de costas com cara de pateta. O sinal abriu e o carro arrancou. Levantei-me do chão com cara de pateta, em silêncio. O camaleão mudou sua cor para cinza. Depois para preto, depois para vermelho, depois para amarelo, depois para verde, como o farol.

A platéia rola numa única gargalhada.

Saí correndo, voando, atrás do Ford 28 que se distanciava. Camaleão, onde está você ? Não vi uma grande cratera à minha frente, e voei, engolido. Será que estou na Lua ? Será a barriga de uma baleia ? Será a boca de um camaleão ?

Queda. Gargalhadas. Piano toca um fox-blue.

Olho sem entender nada para a tela desse cinema, os meninos riem, as meninas tentam sorrir, os homens gargalham alto, as mulheres não conseguem parar. Vou subir à cratera, chegar até a rua.

O que faz um camaleão ? Olha para toda essa gente que sorri. Muda de cor. Vermelho para lilás, lilás para laranja. E toda essa gente sorri.

Tomo impulso, vou correndo, e tomo mais impulso e vou mais correndo e... chego à metade da cratera e paro. A gravidade faz com que eu volte ao centro da cratera de marcha à ré, com os mesmos passos. Eles não agüentam de tanto rir.

Uma, duas, três vezes.

Vou fechar os olhos. Imaginar por alguns momentos, que, como um camaleão, eu posso mudar de cor, posso olhar par o céu, até mesmo ter asas, que não são de camaleão, mas que servem para um dia voar.

Sinto-me leve, ascendendo aos ares.

Leve como um balão.

A platéia não acredita,  mas estou no chão novamente. Começo a tomar impulso em minhas pernas, correndo sem sair do lugar. As pernas escavam o chão, são velozes. Disparo pela rua como uma bala de canhão.

No outro quarteirão,  um farol muda de cor, como se fosse um camaleão.

O que há ? Estou correndo atrás do carro de Harold Lloyd, que na próxima história será de novo meu amigo. Olho para a multidão feliz e momentânea, não digo nada, estou sério. Parte do meu trabalho é olhar sério para essas pessoas que riem. Ao meu lado, um pequeno camaleão muda de cor em uma cena preto e branco.

Correndo, correndo.

Correndo. Chegando cada vez mais perto, enquanto os dedos de um pianista voam pelo teclado de teclas brancas e pretas cada vez mais velozes atrás de Harold Lloyd.

Muda de cor, entre o branco e o encarnado.

O carro de Harold Lloyd vira à direita no primeiro quarteirão, vira à esquerda, vira novamente à direita, volta completa.

O carro de Harold Lloyd par ao meu lado, e ele buzina. Os espectadores não podem ouvir, mas eu ouço.

Ele abre a porta e me convida a entrar em seu carro.
Pegue uma carona comigo, vamos juntos alcançar Harold Lloyd, ele diz.
Ele me pede que eu fale de minha ternura, no caminho.

Não existem sinais fechados.

Ele me deixa duas quadras adiante. Arranca com seu carro 1928 à toda velocidade e freira, repentino, levantando poeira do chão.

Vou correndo, estamos todos rindo, nós e vocês que nos assistem desse lado do mundo. Olho para a traseira do veículo de meu amigo, mais uma vez vou bater o meu nariz e mais uma vez vou cair de costas. Espero conseguir uma grande gargalhada desse público.
O que faz um camaleão ? Muda de cor, segundo a segundo. Olha assustado, independente, feroz: seus olhos abrangendo o mundo. Susto, susto : batidas de coração.  Mudou de cor, azul para azul.

Meu nome é Buster Keaton, sou um cômico que faz rir e não ri. Susto, susto : camaleão mudando de cor. Batidas de coração. O que não faz esse camaleão ?

Estamos fazendo um filme. Não devem existir sinais fechados.



Escrito por Caio às 10h35
[   ]




Who lives up there ?

Eu ando à pé com você por uma estrada montanhosa.
Estou sempre falando sozinho.
Você usa óculos escuros antigos, e de tempos em tempos, olha para mim rapidamente e sorri.
Sorri sem dizer nada.
Percebo que sua pele esvanece e torna-se transparente no ar.
Através de você eu posso ver o verde e as montanhas,
O céu pesado e carregado de nuvens de chuva. Isso me faz sentir mais sozinho,
E passamos a estrada sem nos dizer nada.


Agora chegamos em nosso acampamento, e você olha uma última vez para mim.
Você sorri, deita-se em seu lado de nossa cama improvisada nas árvores e dorme.
Agora você morreu. Seus cabelos cacheados, suas mãos finas e delicadas,
Sua voz que parecia de criança.
Tudo deixou de existir. Tudo está no passado. Ou deveria estar.


Enrolo seu corpo translúcido com papel de jornal, para que haja novidades quando você chegar,
Nesse tipo de mundo novo,
Inflar o bote salva-vidas tirado de dentro de nossa mochila comum,
Encher balões de aniversário com o ar dos pulmões,
Amarrá-los com barbante ao bote, e nele depositar seu corpo.
Sem oração. Sem palavra. Sem flor. Silêncio,

O bote começa a voar, e você nele vai embora,
Eleva-se por sobre as árvores, na direção das nuvens e das estrelas.

Você agora é um ponto, você navega no Universo sem quedas.


Olho para o céu noturno clareado pela luz da Lua.
Você é apenas uma recordação em algum canto escondido de memória.
As vezes fico em dúvida se você subiu aos ares, e está lá em cima.


Ou se então você desceu para algum lugar,
e sua nave improvisada provavelmente pousou na areia de uma praia em uma ilha,
e as nuvens de estratos e cirros, maiores e menores,
são as ondas de um oceano cheio de navios celestes.
E posso ver tudo daqui de cima.

Seja como for, tudo é muito longe.
E se eu olhar para a Lua, direi que é tão longe,
e quem é que pode viver lá ? Agora,
Eu ando à pé por uma espécie de estrada montanhosa.
Estou sempre falando sozinho.



Escrito por Caio às 06h56
[   ]




Ainda

Você vai votar em quê : no número 1 ou no número 2 ?

Mas...

E o mensalão ?
E o mensalinho ?
E a mensaleta ?

Algo ficou mostrado ?
Algo ficou provado ?
Os exemplos são convincentes ?

(Escreveu, não leu, o José ...Dirceu (ai!))

O partido que teóricamente foi "arrasado" com o escândalo agora é maioria absoluta na Câmara ?

E depois de tanto fuá, você ainda vai fazer o quê : votar no número 1 ou no número 2 ?

 



Escrito por Caio às 18h44
[   ]


[ ver mensagens anteriores ]

 
Histórico
  01/05/2009 a 31/05/2009
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005


 
Outros sites
  Inês Corrêa
  Pesca Cultural
  Vindaloo
  Acredoce
  Luli Rojanski
  Adrian Belew Blog
  Mobilefest
  Mariana Baldin
  Baunilha
  Paisagens da Crítica
  Conversa com meus Botões
  Neide Rigo
  Lesmadesofa
 
Votação
  Dê uma nota para meu blog