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O que é isto?
 
 


Mudança do Tempo



Sim, é um pouco estranho,
levantar-se e cumprir o decreto oficial de
atrasar o relógio uma hora,

Pensando que é quase que irônico :
Temos mais uma hora para dormir,
Mais uma hora para viver,
Mais uma hora para mudar,
ou refazer nossos planos,

O sol irá nascer amanhã, à mesma hora.
Mas será mais cedo.
Ainda é tão estranho que a intromissão humana
desse fato,
seja por um simples decreto.



Escrito por Caio às 05h14
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Dark Intervals



Ela acorda e abre os olhos.

Sangue no carpete. O pai morto ao seus pés. A mãe. A irmã e o irmão menor. Todos vieram ao quarto de dormir.
Daqui não sairão. Um espanto esquisito, uma frieza imediatamente esquisita.
"Quem fez tudo isso ?". Anda desviando dos corpos, como obstáculos de desvio já sabido.

Alguém quebrou o espelho.
Um martelo, ou um tiro.

E do outro lado do espelho, lá está ela. Coloca o indicador sobre os lábios. Olham-se nos olhos. "Não precisa ficar espantada. Não conte a ninguém que fomos nós".
Uma voz sem timbre, falando por imagens, pensamentos.

Ela olha todo esse sangue e desespera-se: não sabe o que fazer.
"Calma".

Toma em suas mãos um revólver providencialmente caído no chão,
Aponta-o para si própria, mirando em direção à sua própria testa. Atira.
Uma, duas, três vezes.

Não jorrou sangue. A cabeça permanece onde está. Não foi arrancada. As balas abriram um buraco escuro, entre seus olhos.
Suspiro de alívio.

Como se ela tivesse tomado uma dose de uísque, forte e calmante. Olha para o espelho.
"Agora está tudo bem !" E dão-se as mãos, e as mãos se tocam.

Enquanto isso ouve-se as correntes de uma bicicleta em câmera lenta na rua.
O apito do guarda-noturno.
Mendigos transformam-se em arbustos e cestas de lixo, caprichosamente equidistantes no sentido das calçadas.

Agora ela está acordada e de olhos abertos.
As mãos dadas com aquela do espelho em definitivo.
e elas saem juntas na direção da manhã que vem chegando.



Escrito por Caio às 21h39
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Sequestro





É uma sexta-feira, triste sexta-feira.
Na casa de meu pai o telefone toca.
"Temos seu filho", diz uma voz. "Ele irá morrer se o resgate não for pago".
Apontam-me a arma e minha suposta voz lamenta :

"Pai, ó Pai, não me deixe morrer".
E meu pai morre e renasce, repetidas vezes.
O impulso de morrer gera a energia do renascer.

E meu pai pergunta à voz no telefone :

"Muito bem. O que querem pela vida de meu filho ?"
"Ouro, veículos, fazendas ? Não sou lá muito rico. O que desejam
?"

"Todos os prédios dessa cidade, primeiro."
"Todos os becos onde possamos nos esconder". "O relógio de ouro,
todo o dinheiro que o senhor tem no banco,
o seu automóvel,
e sua tristeza eterna, que será nosso maior prêmio".

"Não tenho relógio de ouro, não tenho prédios na cidade", meu pai responde.
"Os becos onde podem esconder-se são de todos, não só meus.
Não tenho dinheiro no banco, não tenho automóvel.
Tenho só umas moedas, que guardei para um dia que precisasse"

Então batem-me na cara com as mãos,
Socos, pontapés, coronha da arma. E eu grito :
"Pai, Pai, não me deixe morrer !"
"Imploro pela vida de meu filho,
Minha tristeza eterna já é seu prêmio, como querem.
Tenho as moedas e elas estão ao seu dispor.
Por favor, matem-me, mas não o deixem morrer !"

"Então pegue suas moedas, coloque-as em um saco de papel,
Dirija-se à rua que Sobe e Desce, e que Nunca Aparece,
Número um dois três quatro.
Não chame a polícia, não dê a entender que estamos com seu filho.
Se chamarem pelo nome, não responda.
Não chore e nem sorria. É um terreno baldio. Apenas espere.
Lá iremos buscar suas moedas,
E seu filho poderá voltar para casa."

Meu pai, na rua.
Silêncio e olhares cruzados.
Em cada quarteirão, cada esquina.

Silêncio
e mais
Silêncio.

Meu pai, à espera.
Silêncio. Parece uma
estátua de areia à beira da praia.

Caminho por uma rua que vai ao encontro de meu pai.
Tenho ferimentos no rosto, nas mãos, no corpo.
Uma enorme mancha de sangue no lado esquerdo do peito.
Atiraram pelas costas. Mandam-me buscar as moedas.

Mas jamais saí de casa.

Retornamos os dois, e o saco de moedas intacto, em direção da noite.
Não dizemos palavra. Ele ainda não percebeu,
eu estou morto.

O sangue não para de jorrar.
As feridas e hematomas incomodam.
Minhas mãos estão perfuradas, como se eu tivesse sido
pregado em algum tipo de cruz.  Detalhes.

Sexta-feira,
Triste, triste sexta-feira.


(Baseado em tristes fatos reais)

 



Escrito por Caio às 21h56
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Voltamos

 

Estamos no ar, novamente.
Como é bom poder dizer isso.



Escrito por Caio às 21h53
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